No ano de 2009, em meio à 17ª Kizomba – Festa de Exaltação à Cultura Afro (que tradicionalmente acontece na comunidade do Caeira do Saco dos Limões), a diretora cultural da Escola de Samba Consulado, Graça Carneiro, abriu espaço no evento para uma discussão sobre as Escolas de Samba como pontos de cultura. O que ela fazia, na verdade, era jogar luz sobre questões que fazem parte do dia a dia de quem participa das escolas, sabendo que a função dessas agremiações vai muito além daquela hora e pouco que dura o desfile na avenida.
Estimular essa integração entre escola e comunidades e fomentar o desenvolvimento de projetos que valorizem a cultura de cada local, é , de fato, muito importante, mas para que isso aconteça, primeiro é necessário que se conheça o que tem sido feito e produzido por cada uma das escolas, e, também, o que as comunidades desejam. Ana Paula Cardozo, coordenadora da Coppir, diz que é nesse ponto que se encontra o primeiro grande desafio para a organização do Fórum. “Temos que mapear cada escola, cada bloco carnavalesco, conhecer os projetos sociais que desenvolvem, qual o público atingido e duração dessas atividades. Só assim conseguiremos sensibilizar a todos e estimular a participação das comunidades no Fórum”, explicou Ana Paula.Esse processo de troca de informações, que motiva a integração entre escolas e comunidades, é de fundamental importância no momento de se implantar os projetos sócio-culturais. Especialmente levando-se em conta o fato de que as crianças e jovens passam entre três e quatro horas diárias na escola formal, onde há pouco – ou nenhum – tempo disponível para aulas de arte, dança, teatro ou qualquer outro estímulo ao desenvolvimento cultural. . “Os poucos projetos que existem atingem uma pequena parcela da comunidade, que ainda não está inserida na criminalidade”, opinou Ana Cardoso, que também participa da UNEGRO/SC.

(Texto construído de forma colaborativa, com a participação de Gabriela dos Santos e Patrícia Silva, alunas do Projeto de Jornalismo Cidadão – parceria entre a Associação Cultural Alquimídia e o Projeto Caeira 21)